Acre está entre estados com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres, diz estudo
29/04/2026
(Foto: Reprodução) Acre tem uma das menores diferenças salariais entre homens e mulheres no país
helpsg para Pixabay
O Acre aparece entre os estados brasileiros com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado na última segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
De acordo com o levantamento, o estado tem índice de 91,9% de equivalência salarial e fica entre os melhores do país nesse indicador. Na prática, quanto mais próximo de 100%, menor é a diferença de remuneração entre homens e mulheres.
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O estudo reúne dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e analisou cerca de 53 mil empresas com 100 ou mais empregados, comparando os anos de 2023 a 2025.
Apesar do avanço na participação feminina, a diferença salarial não diminuiu e segue presente em todos os setores. Isso porque em todo o Brasil, mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas com 100 ou mais funcionários.
Mulheres ganham 20,9% a menos que os homens no Brasil
No primeiro relatório com recorte de gênero, divulgado em 2024, mulheres ganhavam, em média, 18,3% a menos que os homens no Acre.
Na época, o estudo considerou 104 empresas no estado, que somavam cerca de 33,5 mil trabalhadores. Os dados também mostraram que a diferença salarial variava conforme o cargo e podia ser ainda maior em posições de liderança.
Em funções de dirigentes e gerentes, por exemplo, a desigualdade chegava a 35,6%, indicando que, quanto mais alto o cargo, maior tendia a ser a diferença de remuneração entre homens e mulheres.
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No levantamento mais recente, houve avanço de alguns indicadores. No Acre, 64,6% das empresas passaram a adotar plano de cargos e salários ou plano de carreira.
Em relação às políticas de incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAP+, o estado registra 15,2% das empresas com esse tipo de iniciativa e aparece atrás de estados como Amazonas (17,4%) e Roraima (15,8%).
Salários variam conforme raça e cargo
Dados do painel mostram ainda que o Acre tem 120 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, somando 39.475 vínculos formais.
A remuneração média no estado é de R$ 2.472,66, enquanto o salário contratual mediano é de R$ 1.639,14. Contudo entre as mulheres, a remuneração média é de R$ 2.356,89, abaixo da registrada entre os homens, que é de R$ 2.565,24.
Quando se observa o recorte por raça, a diferença também aparece. Mulheres negras recebem, em média, R$ 2.298,54, enquanto mulheres não negras têm rendimento médio de R$ 2.565,32.
Entre os homens, os não negros têm os maiores salários médios (R$ 2.821,54), acima dos homens negros, que recebem R$ 2.499,67.
O levantamento também mostra que a desigualdade varia conforme o cargo. Em funções operacionais, por exemplo, a proporção salarial entre mulheres e homens é de 79,7%, uma das menores registradas. Já em cargos de dirigentes e gerentes, essa relação chega a 85,3%.
Cenário nacional
No cenário nacional, o novo relatório mostra aumento da participação feminina no mercado de trabalho. O número de mulheres empregadas cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões.
Também houve avanço na adoção de políticas internas nas empresas, como jornada flexível, auxílio-creche e ampliação de licenças, além de maior número de empresas que afirmam promover mulheres.
Também aumentou o número de empresas com maior presença feminina negra. Os estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras somaram 21.759 em 2025, alta de 3,6% em relação a 2023. Ainda assim, a desigualdade de renda permanece estável.
Acre tem uma das menores diferenças salariais entre homens e mulheres no país
Quésia Melo/G1
A divulgação dos dados atende à Lei nº 14.611, sancionada em 2023, que trata da igualdade salarial entre homens e mulheres.
A norma estabelece que empresas com 100 ou mais empregados devem garantir transparência nos salários, adotar medidas contra discriminação e implementar ações que incentivem a equidade no ambiente de trabalho.
VÍDEOS: g1