Capivara é 4º animal com mais risco para a aviação brasileira - e o único roedor, aponta estudo
31/08/2025
(Foto: Reprodução) Capivara, considerada o maior roedor vivo do mundo animal
UFSC
A capivara é o quarto animal com maior risco para a aviação brasileira, apontou um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Transportes e Logísticas (LabTrans) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com a Secretaria Nacional de Aviação Civil. O roedor é o único entre as 20 espécies com mais risco que não é uma ave (veja o ranking ao final da reportagem).
O estudo foi divulgado na quinta-feira (28). Consideradas o maior roedor vivo do mundo animal, as capivaras são cada vez mais populares em áreas urbanas.
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Ao todo, o estudo aponta 33 colisões a partir de 2019, ano em que os acidentes com este animal começaram a ser reportados:
‼️5 destas colisões geraram danos;
🛬o pouso foi a fase da aeronave com mais colisões com capivaras, com 19 registros;
🛫 a arremetida foi o efeito mais comum no voo, com 4 registros.
No total, 11 aeroportos tiveram colisões com capivaras, em Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Acre e Pernambuco.
Além dos registros, o estudo sugere medidas para evitar que esses acidentes com os roedores ocorram:
monitoramento de valas de drenagem;
cercamento da mata para evitar que as capivaras possam acessar a área da pista;
análise de impacto sobre a segurança operacional pela presença das capivaras.
O roedor é o animal com maior massa corporal média entre os identificados no estudo, podendo pesar entre 27 kg e 91 kg.
Em comparação, as outras espécies com alto risco para a aviação têm pesos bem menores, como o urubu-de-cabeça-preta, que varia de 1,18 kg a 3,00 kg, e a seriema, entre 1,40 kg e 2,20 kg — respectivamente o primeiro e o segundo animais mais perigosos para a aviação.
✈️No ano passado, uma capivara chegou a ser flagrada por câmeras de segurança dentro do terminal do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis. O animal apareceu de madrugada e foi retirado por um funcionário:
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Como foi feito o estudo
O ranking da severidade traz uma relação de 68 espécies e é um instrumento criado por pesquisadores para identificar aquelas que representam maior risco à segurança operacional da aviação brasileira, devido a colisões entre animais e aeronaves.
As colisões com fauna, também chamadas de birdstrikes ou wildlife strikes, ocasionam atrasos e danos às aeronaves, resultando em custos financeiros elevados, impactos ambientais negativos e, em casos mais graves, perda de vidas humanas.
As espécies foram catalogadas utilizando dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e análises de DNA. O objetivo principal é ser uma ferramenta prática para equipes de fauna e profissionais da aviação no Brasil.
A severidade relativa a cada animal foi calculada com os seguintes critérios:
total de colisões com dano
total de colisões com dano maior
total de colisões com efeito no voo
Ranking
Confira o ranking com os animais mais perigosos para a aviação civil. O urubu-de-cabeça-preta lidera a lista, com mais de 600 ocorrências registradas entre 2011 e 2024 em 120 aeródromos.
Urubu-de-cabeça-preta
Seriema
Fragata
Capivara
Urubu-da-mata
Biguá
Gavião-preto
Anu-preto
Carrapateiro
Águia-pescadora
Pomba-galega
Rolinha-picuí
Curicaca-comum
Carcará
Urubu-de-cabeça-vermelha
Garça-branca-grande
Garça-branca-pequena
Perdiz
Garça-cinzenta
Pombo-doméstico
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