Do pé à garrafa: conheça a produção do azeite mineiro que ganhou o 1º lugar em concurso nacional
30/10/2026
(Foto: Reprodução) Conheça a produção do azeite mineiro que ganhou o 1º lugar em concurso nacional
Um azeite produzido em Maria da Fé (MG), na Serra da Mantiqueira, conquistou o primeiro lugar na categoria Blend do Prêmio Brasil Artesanal 2026, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O Mantikir Summit Premium recebeu o Selo Ouro em uma disputa que reuniu 85 amostras de diferentes regiões do país. O resultado foi anunciado em 15 de outubro, em Brasília (DF).
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O reconhecimento é resultado de um processo que começa na escolha da área de cultivo e envolve o manejo das oliveiras, o momento da colheita, a extração e o armazenamento do azeite.
Em entrevista ao g1, o produtor Herbert Sales explicou como cada etapa influencia as características do produto. Além do primeiro lugar com o blend, a marca conquistou a quarta colocação na categoria Monovarietal com o Mantikir Coratina.
Conheça a produção do azeite mineiro que ganhou o primeiro lugar em concurso nacional
Régis Silva
Altitude e clima influenciam a produção
Na Fazenda Tuiuva, onde são cultivadas as azeitonas utilizadas na produção, as oliveiras estão plantadas em áreas que variam entre aproximadamente 1700 e 1910 metros de altitude.
Segundo Herbert Sales, as baixas temperaturas do inverno favorecem o ciclo das oliveiras. Além da altitude, fatores como solo, ventilação e variedade das plantas contribuem para o desenvolvimento dos frutos.
O produtor começou a monitorar as horas de frio da propriedade em 2020. A primeira produção de azeite ocorreu três anos depois, em 2023. Desde então, as safras permitiram comparar os resultados obtidos em áreas mais altas e mais baixas da fazenda.
De acordo com Sales, a combinação entre altitude, clima, solo e variedade das oliveiras pode favorecer a formação de compostos fenólicos, associados ao amargor, à picância e à estabilidade do azeite. O manejo das plantas e os cuidados durante o processamento também influenciam diretamente o resultado final.
Altitude, clima, solo e variedade das oliveiras pode favorecer a qualidade do produto
Régis Silva
Colheita exige atenção ao amadurecimento
A definição do momento da colheita é uma das etapas mais importantes para o sabor e o aroma do azeite. Azeitonas colhidas ainda verdes tendem a concentrar mais compostos fenólicos. Conforme amadurecem, os frutos passam por mudanças que afetam essas características e também o rendimento da extração.
Na produção do Mantikir Summit Premium, a combinação de azeitonas em diferentes estágios de maturação ajuda a alcançar o equilíbrio desejado entre frutado, amargor e picância.
A observação dessas características ao longo de quatro safras, aliada aos cuidados com o solo e as plantas, ajuda a definir o momento ideal da colheita e a intensidade sensorial do azeite.
O excesso de chuva em 2026, segundo o produtor, atrasou o amadurecimento das azeitonas e reduziu o rendimento dos frutos colhidos ainda verdes.
Azeitonas sendo colhidas
Régis Silva
Da oliveira ao lagar
Depois da colheita, as azeitonas precisam ser levadas rapidamente ao lagar, onde ocorre a extração do azeite. O objetivo é evitar danos aos frutos e reduzir o intervalo entre a colheita e o processamento.
Sales afirmou que prioriza a colheita manual sempre que possível e procura processar as azeitonas no mesmo dia.
“Deve-se colher um fruto saudável sem pisar nele. Na hora de colher, colher à mão o máximo que puder”, disse.
No lagar, as azeitonas são trituradas até formar uma pasta. Em seguida, o material passa por equipamentos que separam o azeite da água e dos resíduos sólidos por centrifugação.
Processo de extração do azeite
Régis Silva
O controle da temperatura durante o processo ajuda a preservar os compostos responsáveis pelas características do produto. “Quanto mais eu aqueço a azeitona, mais polifenol e aroma eu perco”, explicou.
Por isso, segundo o produtor, é importante utilizar equipamentos adequados, controlar a rotação das máquinas e resfriar a pasta durante o processamento. A variedade das azeitonas, o estágio de maturação e as condições de cultivo também interferem no resultado.
Após a extração, o azeite passa por decantação e filtragem antes de ser armazenado.
Tanques e garrafas ajudam a preservar o azeite
Os cuidados continuam depois da extração. O calor, o oxigênio e a luz podem acelerar a oxidação e comprometer as características do azeite.
Segundo Sales, o produto é armazenado em tanques de aço inoxidável, em ambiente com temperatura controlada entre 18°C e 20°C. O produtor também utiliza gás para reduzir o contato com o oxigênio.
Após o processo de extração, o azeite é armazenado em ambiente e temperatura controlada entre 18°C e 20°C
Régis Silva
No envase, são utilizadas garrafas de vidro escuro, com tampas de vedação reforçada. A embalagem ajuda a proteger o produto da luz e a preservar suas características durante o armazenamento.
“A garrafa é a mola mestra para você manter o indicador de acidez mais baixo possível durante o mais largo tempo possível”, afirmou.
Embora seja um dos parâmetros avaliados, a acidez isoladamente não determina a qualidade do azeite. O aroma, o sabor e outros atributos sensoriais também são considerados.
Quatro variedades formam o azeite premiado
O Mantikir Summit Premium é um blend elaborado com quatro variedades de azeitonas: Arbequina, Coratina, Grappolo 541 e Koroneiki. Cada variedade contribui de forma distinta para o perfil sensorial do produto.
A Arbequina tende a apresentar características mais suaves e amendoadas. A Coratina é conhecida pela intensidade e pelo potencial de concentração de compostos fenólicos. A Koroneiki pode contribuir com notas frutadas, amargor e picância, enquanto a Grappolo 541 acrescenta características vegetais.
Azeite premiado é formado com quatro variedades de azeitonas
Régis Silva
A proporção entre as variedades e o estágio de maturação dos frutos são definidos de acordo com as características de cada safra. O objetivo é combinar aromas e sabores sem que um atributo se sobreponha aos demais.
“Eu digo que o Summit é um grupo de talentos e o Coratina é o solista que faz sucesso porque tem persistência em picância e amargor”, comparou o produtor.
Já o Mantikir Coratina é um azeite monovarietal, produzido exclusivamente com azeitonas da variedade Coratina, originária da Itália. Por utilizar uma única cultivar, o produto destaca características próprias dessa variedade, como o amargor e a picância.
Segundo o produtor, enquanto o Summit Premium apresenta um perfil mais equilibrado, o Coratina é indicado para quem prefere sabores mais intensos.
Concurso avaliou azeites de diferentes regiões
O Prêmio Brasil Artesanal 2026 reuniu amostras de diferentes regiões brasileiras e contou com avaliações de especialistas e do público. As degustações foram realizadas sem a identificação dos rótulos, para reduzir a influência das marcas na análise.
Segundo Herbert Sales, a avaliação técnica considera características sensoriais, como intensidade e persistência. Já a etapa popular permite observar a aceitação dos produtos por consumidores com diferentes níveis de experiência na degustação de azeites.
As diferentes preferências dos consumidores podem influenciar os resultados. Azeites mais amargos e picantes, por exemplo, nem sempre agradam a quem está acostumado a sabores mais suaves.
O produtor acredita que o consumidor brasileiro ainda está se familiarizando com a diversidade de perfis dos azeites nacionais.
“O brasileiro não tem esse costume. Ele tem que ser educado a entender que um azeite com mais picância e amargor, é um azeite mais saudável. Mas está tudo certo. Ele tem que ser palatável gastronomicamente”, afirmou.
Prêmio reuniu amostras de várias regiões brasileiras
Régis Silva
Premiação valoriza a olivicultura mineira
Para Herbert Sales, o primeiro lugar do Summit Premium e a quarta colocação do Coratina reconhecem o trabalho de pesquisa, os investimentos em equipamentos e a participação de profissionais especializados na produção.
Ele avalia que a premiação nacional contribui para dar visibilidade à olivicultura do Sul de Minas e valorizar os produtos brasileiros.
“Esse prêmio para a olivicultura do Sul de Minas, para a produção local, demonstra mais uma vez a força da região. A disputa foi basicamente entre Minas Gerais e Rio Grande do Sul, e Minas deu um baile no Rio Grande do Sul. Os caras são muito bons, e, quando a gente ganha de quem é bom, boa é a referência pra gente”, afirmou o produtor.
Para Herbert, premiação contribui para dar visibilidade à olivicultura do Sul de Minas
Régis Silva
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