Governo Trump diz que PCC usa sistema financeiro americano para lavar dinheiro
01/07/2026
(Foto: Reprodução) EUA sancionam duas pessoas e três empresas brasileiras por suposta ligação com o PCC
A sanção do governo dos EUA contra dois brasileiros e três empresas do País nesta quarta-feira (1°) é uma resposta à ameaça que o Primeiro Comando da Capital (PCC) oferece aos Estados Unidos, segundo o documento publicado pela Secretaria de Tesouro. A nota afirma que a facção tem operações na Flórida, que vão da lavagem de dinheiro à distribuição de drogas.
Um dos alvos é Victor Henrique de Oliveira Shimada, acusado de ser o principal elo entre o PCC e os traficantes de drogas internacionais. A partir de São Paulo, ele e sua organização lavaram mais de US$ 30 milhões em fundos ilícitos gerados em várias cidades dos Estados Unidos e arredores, utilizando criptomoedas para transferir os fundos de volta ao Brasil em nome da facção.
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Segundo o Tesouro americano, o PCC é considerado uma das maiores organizações criminosas transnacionais, com atuação em países como Japão, Turquia, e Reino Unido.
"Redes como a que foi alvo da ação atuam no tráfico de drogas, no contrabando de grandes quantias de dinheiro em espécie para cartéis e em outras atividades ilícitas destinadas a gerar receitas para o PCC", consta no documento.
👉 Em 29 de maio, o Departamento de Estado dos EUA classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, contrariando os pedidos do governo federal. A determinação, que passou a valer em 5 de junho, abre espaço para ações mais duras e unilaterais dos Estados Unidos, como sanção de cidadãos e empresas brasileiras e, em último caso, intervenção direta no território nacional .
A operação é coordenada pela Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF, da sigla em inglês), com participação do escritório do FBI em Miami e da Seção de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), além do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).
Operação internacional
Segundo o comunicado, a rede de ocultação da origem de bens ilícitos operava a partir de dois centros, a Flórida e São Paulo. Uma empresa ligada a Shimada foi usada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.
As outras companhias detidas por ele eram usadas para receber recursos ilícitos vindos dos Estados Unidos e ocultar a origem do dinheiro, antes em circulação no Brasil, segundo a investigação.
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A outra sancionada, Stella Stefanie de Oliveira, é apontada como parente e colaboradora de Shimada. Ela teria auxiliado na logística da operação e intermediado a movimentação de grandes quantias em dinheiro.
Shimada foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em julho de 2025 por lavagem de dinheiro no âmbito do escândalo da VaideBet, ex-patrocinadora do Corinthians. Os EUA citaram que a Victory Trading, da qual Shimada é sócio, foi utilizada para lavar dinheiro desviado do clube de futebol brasileiro, porém não mencionou o nome do time alvinegro no comunicado.
Esta é a terceira ação do OFAC contra o PCC. A facção foi sancionada pela primeira vez em 2021 por envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Em 2024, o órgão também puniu Diego Macedo Gonçalves do Carmo, acusado de lavar dinheiro para a organização criminosa.
Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com jornalistas em Paris, em 17 de junho de 2026.
Reuters/Evelyn Hockstein