PF diz que Vorcaro usou empresas de fachada, laranjas e fundos de investimento para ocultar propina a ex-presidente do BRB
17/04/2026
(Foto: Reprodução) PF: Vorcaro usou empresas de fachada, laranjas e fundos de investimento para ocultar propina
A Polícia Federal afirmou ter encontrado indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro usou empresas de fachada, laranjas e fundos de investimento para ocultar imóveis pagos como propina ao ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa.
A foto é o registro de entrada de Paulo Henrique Costa no presídio da Papuda. Paulo Henrique está em uma unidade de segurança máxima. O ex-presidente do BRB foi preso na quinta-feira (16), suspeito de ser o beneficiário de um esquema de propina com imóveis de alto padrão comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, Paulo Henrique Costa atuava como um verdadeiro mandatário de Daniel Vorcaro no âmbito do BRB e foi peça essencial para viabilizar a aquisição, pelo banco estatal, de carteiras fraudulentas do Banco Master. Em contrapartida, receberia seis imóveis de luxo em São Paulo e em Brasília avaliados em R$ 146,5 milhões.
Segundo a investigação, Vorcaro usou empresas de fachada e laranjas para impedir que o nome de Paulo Henrique Costa fosse diretamente vinculado aos apartamentos. A Polícia Federal afirma que os seis imóveis foram associados a empresas distintas - Allora, Lenore, Stanza, Domani, Chesapeake e Milano -, "todas inicialmente constituídas com capital social irrisório, transformadas em sociedades anônimas e, pouco depois, reforçadas com aportes compatíveis com o valor dos bens".
PF diz que Vorcaro usou empresas de fachada, laranjas e fundos de investimento para ocultar propina a ex-presidente do BRB
Jornal Nacional/ Reprodução
O diretor formal das seis empresas é Hamilton Edward Suaki, alvo de busca e apreensão na operação de quinta-feira (16). Ele é cunhado de Daniel Monteiro, que, segundo a PF, atuava como operador de Vorcaro. Segundo a investigação, as seis empresas estão registradas no mesmo endereço do escritório de advocacia de Daniel Monteiro:
"Tais pessoas jurídicas, originalmente constituídas por conhecidos fornecedores de sociedades de prateleira, tiveram razão social, objeto, sede, diretor e capital social alterados em curto espaço de tempo, passando a funcionar como veículos específicos para recepção de recursos oriundos de fundos conectados à Reag e posterior aquisição dos imóveis".
A Reag é uma gestora de fundos de investimento que tem ligações com o Master e foi liquidada pelo Banco Central.
Na avaliação dos investigadores, a estrutura não apenas viabilizava os pagamentos, mas era essencial para garantir que os imóveis milionários permanecessem invisíveis, não fossem ligados diretamente a Paulo Henrique Costa. Essa engrenagem financeira será avaliada pela Segunda Turma do STF na próxima semana, quando os ministros julgarão se mantêm a prisão do ex-presidente do BRB.
A defesa de Hamilton Suaki confirmou que ele administrou as empresas constituídas para aquisição dos imóveis e disse que a prática é comum no mercado.
A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que a prisão não era necessária e que o executivo vinha colaborando com as investigações.
A defesa de Daniel Monteiro disse que ele sempre agiu de forma técnica.
O advogado de Daniel Vorcaro não se manifestou.
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